Posts Tagged ‘Política’

Que Natal é esse?

Monday, December 18th, 2006

Você não se comportou esse ano?

Acompanhamos atônitos aos últimos acontecimentos envolvendo o transporte coletivo na capital do estado de São Paulo, onde os paulistanos receberam – de presente de natal – um aumento nas tarifas dos transportes coletivos, onde a tarifa que já era alta, ficou ainda mais cara, passando de R$ 2,00 para R$ 2,30, um aumento de 15%, índice que supera a inflação medida pelo IPCA no período (em torno de 7%).

E como se não bastasse, num país onde o salário mínimo é de R$ 350,00, os nossos indigníssimos parlamentares recebem um reajuste salarial de 91%, um verdadeiro assalto aos contribuintes. E como consolo, fala-se de um eventual aumento do salário mínimo em 2007 de apenas R$ 25,00, com o argumento de que esse reajuste tem que levar em conta os índices de inflação.

Mais um exemplo de políticas para uso próprio: A reforma da Oscar Freire, onde a Prefeitura destinou R$ 4 milhões para tais obras. Enquanto isso, as ruas da periferia são de terra. Isso é que eu chamo de legislar em causa própria, um verdadeiro abuso contra a população, somos lesados sem o menor pudor pelos nossos governantes.

Medidas que lesam o bolso da população sempre aparecem depois de algum feriado prolongado, nos primeiros dias do ano ou no meio de algum grande evento. Foi assim com todos os planos econômicos, e não seria diferente no atual. Neste, políticos aproveitaram-se da histeria natalina, onde a grande espera pelo que parece ser único dia para ser feliz e para compartilhar a chamada felicidade, acaba fechando ainda mais os olhos da população.

O primeiro aumento da era Serra-Kassab, os próximos devem estar por vir, já as obras de expansão do metrô tiveram seu ritmo reduzido, obras que seriam entregues este ano só deverão ser entregues no ano que vem.

Se as pessoas tiverem o mínimo de consciência, devem manifestar-se, vão para as ruas, falem, protestem, pulem as catracas se for preciso. Transporte publico é um direito, não uma mercadoria. Direito, assim como saúde e educação, não deveria nem mesmo ser cobrado, pois já pagamos muito, temos uma das maiores cargas tributárias do mundo. Isso não pode continuar. Em 12 anos o ônibus subiu 400% e nosso salário? Vamos continuar pagando uma fortuna por ônibus, trens e metrôs cada vez mais lotados e de má qualidade?

Não fique parado, junte-se a nós, Florianópolis e vitória provaram que com a organização é possível barrar o aumento. Façamos o mesmo:
Contatos e Informações:
barraroaumento@lists.riseup.net
revolucaohumanista@yahoo.com.br

George Bush no Late Night Show

Monday, December 18th, 2006

Veja no Youtube.

O Casseta e Planeta nunca chegou perto. Bem que podia né? Principalmente agora…

Capitalismo e socialismo no contexto brasileiro

Saturday, November 25th, 2006

Ao ler o artigo Rockefeller sobre o capitalismo, que o Diego escreveu, não pude deixar de traçar os paralelos desses dois sistemas. Vou começar por defini-los:

O Capitalismo é definido como um sistema econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção, na detenção do capital a uma minoria burguesa, na exploração do opressor sobre o oprimido, esse último representado pelos trabalhadores.

O Socialismo é um sistema político onde todos os meios de produção e a centralização do poder pertencem ao estado, onde não existe a propriedade privada, ao contrário do capitalismo.

A pergunta é: Qual a analogia que podemos fazer em dois modelos econômicos tão diferentes?

Primeiro, temos que os dois modelos, à sua maneira concentram o capital e o poder: No capitalismo, em poder de poucos, e no socialismo em poder do Estado, sendo que nesse sistema, a concentração é um processo de transição.
Analisemos o Brasil. Como em qualquer outro país, tem a sua identidade nacional, que nada mais é que uma construção histórica e política em torno da idéia de nação e nacionalidade – como o nome já sugere, bem como características consideradas comuns e enraizadas em determinada cultura, como já fazendo “parte de nós”.

No Brasil coisas como corrupção, hipocrisia, submissão, discriminação social e racial, cinismo, exploração, violência, miséria, já fazem parte de nossa identidade nacional. Como por exemplo, ver um mendigo dormindo na rua ao relento, uma criança pedindo dinheiro no farol ou um escândalo de corrupção por parte dos políticos se tornaram corriqueiras, banais e não nos causa estranheza.

Concluindo, qualquer que seja o modelo econômico, o brasileiro não deixará de tentar tirar vantagem quando lhe for conveniente. Ou não deixará de passar por cima de um mendigo dormindo na rua, ou até mesmo, discriminar as pessoas pela cor de sua pele. E de quem é a culpa? Das pessoas? Do modelo econômico?

Claro que ninguém assume a culpa, eximindo-se de qualquer responsabilidade pelo padrão moral, social e ético vigente.

O Estado como em qualquer sociedade organizada tem seu papel certamente importante, pois é ele que estrutura o sistema, investe em infra-estrutura. Ele é o responsável pela organização e distribuição do dinheiro arrecadado fruto dos nossos impostos. Teoricamente esse discurso seria muito bonito, mas sabemos que na prática não funciona. Vivemos em um sistema capitalista onde o trabalhador é uma máquina, um produto, facilmente substituível e descartável.

Um problema muito marcante no Brasil – consequência do capitalismo – é a grande concentração de renda. Mas por outro lado o capitalismo favorece a corrida pelo capital e a chance de fazer parte da classe social favorecida, a burguesia, é uma grande vantagem para quem tem tendencias individualistas. Coisa que não aconteceria no socialismo, pelo ideal igualitário, onde teríamos justiça social. E nenhum ser humano ou classe social estaria acima de outro.
O fato é que fazemos parte de um sistema estruturado, um modelo feito para nós, que ao invés de políticas de encontro ao interesse do povo, de uma atuação direta modificadora, igualitária e justa, temos políticas assistencialistas, que só fazem aumentar a pobreza e a desigualdade social.

Como formar uma sociedade justa e igualitária?

Implantando o socialismo? Bom, seria uma ótima opção, mas no contexto atual, não seria possível, sem antes uma coscientização de massa, e um intenso trabalho de base.

Seja qual for o sistema econômico, o problema é que ele é gerido por pessoas, com seus próprios interesses e ideais, seja pessoal ou coletivo. E todo modelo econômico assume seu poder e seu controle. Tendo os que concordam e os que discordam, por tanto, passível de crítica e divergências, mas o fato é que lidam com pessoas, embora tratando como números ou produtos.

A solução, no contexto atual, uma mudança real, começa numa atuação das pessoas como estado, uma atuação direta ou indireta: na reinvindicação dos próprios direitos, na solidariedade e acima de tudo na compreensão das questões políticas e sociais, pois um fato verdadeiro e brasileiro é que existe uma parcela muito significativa da população que são alheios a política. Os chamados analfabetos políticos, como diria Bertold Brecht:

O pior analfabeto, é o analfabeto político.

Acredito que quando as pessoas perceberem sua força e seu papel modificador, seja na sua própria vida, no trabalho, em sua casa, e quando essas mesmas pessoas forem mais solidárias, a revolução tão sonhada e esperada pelos socialistas pode vir a acontecer. Ou uma revolução socialista ou uma revolução social, de livre mercado, com melhor distribuição de renda, dando oportunidade para todos. Se não for o socialismo, talvez um novo modelo econômico, uma espécie de união do capitalismo com o socialismo, um completando o outro. Esse seria um mundo ideal, um modelo econômico igualitário e justo.

Suzi Alves.

Rockefeller sobre o capitalismo

Saturday, November 25th, 2006

David Rockefeller

Em entrevista à Veja, David Rockefeller (herdeiro de John D. Rockefeller, o homem mais rico do mundo no início do século XX e fundador da Standard Oil, o primeiro grande império do petróleo) conta a sua opinião sobre o Capitalismo.


É importante destacar que David Rockefeller, além de bilionário – com uma fortuna estimada em 2,6 bilhões de dólares – é também um filantropo, estando juntamente com seus filhos, envolvido com numerosos projetos sociais.

Veja: O senhor foi um ardente defensor da economia de mercado durante os anos da Guerra Fria. Alguma coisa mudou nos argumentos que o senhor utiliza ao debater hoje esse assunto?

Rockefeller: Não. Como era de esperar, sou um grande defensor da empresa privada. Acredito que essa é a forma mais eficiente e prolífica de organização econômica. A história provou que o capitalismo é bem superior ao comunismo, que apenas retardou o crescimento econômico e reprimiu a liberdade. As empresas privadas e o capitalismo, no entanto, funcionam melhor quando vêm acompanhados de instituições democráticas, baseadas em leis que de fato funcionem e sejam respeitadas.

Veja: Uma das críticas ao capitalismo diz respeito a sua capacidade de produzir um número crescente de milionários, mas sem conseguir pôr fim à pobreza. Como se explica esse paradoxo?

Rockefeller: A resposta mais simples é a seguinte: o ideal não deve ser inimigo do possível. A crítica não leva em consideração o fato de milhões de pessoas viverem com conforto e razoável segurança em sistemas capitalistas. Aliás, se não existissem bilionários e milionários, duvido que o capitalismo tivesse sobrevivido. O que realmente importa é o surgimento de uma grande classe média e a redução do número de pessoas vivendo na pobreza.

Se pesarmos os prós e os contras, veremos que o capitalismo vem dando vida melhor a um número cada vez maior de pessoas. A sociedade e os governos precisam entender que o assunto de maior impacto da atualidade é a necessidade de crescimento sustentável e equitativo. É preciso chegar a um compromisso para criar regras previsíveis e sustentáveis nos países, com investimentos em boa educação primária para toda a população. Os governos devem também investir mais em infra-estrutura, como transporte e serviço social básico, a fim de promover o crescimento.

De maneira simples ele conseguiu explicar o que tem de errado com o Capitalismo. De fato, não há nada de errado com o Capitalismo que não possa estar errado em outros sistemas econômicos. A questão é a maneira como o Estado desenvolve o sistema.

A sociedade e os governos precisam entender que o assunto de maior impacto da atualidade é a necessidade de crescimento sustentável e equitativo. É preciso chegar a um compromisso para criar regras previsíveis e sustentáveis nos países, com investimentos em boa educação primária para toda a população.

Não podemos jogar a culpa somente nos governantes. Fazemos parte do Estado, nós somos o Estado. De modo que, se não nos conscientizarmos de que é necessário uma ação de nossa parte, nada vai mudar. É extremamente importante que vejamos o mundo de uma maneira menos individualista.

A história provou que o capitalismo é bem superior ao comunismo, que apenas retardou o crescimento econômico e reprimiu a liberdade. As empresas privadas e o capitalismo, no entanto, funcionam melhor quando vêm acompanhados de instituições democráticas, baseadas em leis que de fato funcionem e sejam respeitadas.

Em outras palavras, o câncer do Capitalismo é o corrupto. É impossível desenvolver uma democracia real com corrupção, e é por isso que não somos totalmente livres. O brasileiro, em especial, tem uma natureza corrupta. E você é o responsável por reprimir essa sua natureza. Seja honesto, seja íntegro. A mudança começa em você!

Como espera criticar um político corrupto se, sempre que você tem a oportunidade, tira vantagem de alguma situação? O senso de justiça e ética deveriam ser mais apreciados pela sociedade. Não como uma maquiagem – como atualmente é – mas como um objetivo, um ideal. Tenha isso como sua meta, esforce-se todo dia para ser mais íntegro, o sentimento que se precede é incrivel. E o mundo começa a ser visto de uma maneira muito mais humana.

Veja a entrevista na íntegra no blog Diário da Revolução.