A Folha publicou uma entrevista com Daniela Mercury, onde ela compara download de músicas na internet à assalto.
O Meiobit publicou sobre isso, e o Marco Mugnato também.
Segue parte da entrevista:
Folha Online – O que você acha do MP3 e da possibilidade de baixarem suas músicas gratuitamente na internet?
Daniela – Gosto da liberdade da internet, e acho que temos que pensá-la como instrumento de divulgação, gosto dessa possibilidade da democratização da música, da arte. Mas como essas pessoas que fazem download e compram disco pirata se sentiriam se tivessem um grupo de cem pessoas envolvidas no trabalho, dependendo daquilo, e não fossem contemplados? Mais uma questão ética para o mundo. Aí falam: “pela liberdade, pela democracia, temos direito de tudo”. Por que então a gente não está roubando os carros, assaltando supermercados? Se é para todo mundo ter direito a tudo, então vamos quebrar tudo. É preciso encontrar alguma maneira de as pessoas receberem pelo que fazem. Se elas fizessem um carro e botassem no meio da rua para cada um pegar e levar, como ia pagar o ferro, os empregados? Alguma coisa tem que ser recolhida para se viabilizar uma indústria cultural que é importantíssima para o mundo. A desonestidade, o download, a pirataria feitos deste jeito sucatearam todo o mercado de disco do Brasil.
Engraçado como o discurso começa de um jeito e acaba de outro. O início dele contradiz totalmente o final. Ela diz: “gosto dessa possibilidade da democratização da música, da arte”. Realmente não entendi qual é a definição de democracia pra ela. Ou será que ela gosta mesmo só da “possibilidade”?!
Esse mundo é realmente um poço de hipocrisia, ninguém mais liga para a arte. Mesmo se ela não vendesse 1 só disco ela não deixaria de ser muito rica. Ela faz shows o ano inteiro, faz comerciais e etc. O CD deveria ser um meio de divulgar seu trabalho, e não de faturar com ele.
Vai dizer que há mérito em ficar rico vendendo CDs? CDs masterizados, onde qualquer desafinado se torna o melhor cantor do momento. Poxa, sejamos sinceros. Se não fosse pela pirataria, acha que o público da Daniela seria tão forte?
As bandas atuais são conscientizadas de que a Internet, o compartilhamento de arquivos e principalmente a livre distribuição de música só tem a contribuir para o sucesso deles. Veja o MySpace!
Agora, essa geração dos discos de platina, realmente veêm nisso um “deixar de ganhar”, quando na verdade só aumenta a popularidade do artista.
Mas é claro que tem o lado negativo para os músicos. Eles dificilmente conseguem vender um CD com poucas músicas boas. Aquela estratégia de fazer dois ou três sucessos e encher o CD com qualquer coisa não funciona mais. Hoje você pode ter acesso só ao que te interessa.
Realmente, o olho grande é um mal terrível! Além de ganhar milhões fazendo shows e propaganda, ela ainda quer negar o acesso à arte aos menos favorecidos.
Essa comparação (de download de músicas com assalto) é ridícula. A Arte não pode ser roubada. Uma vez criada, ela deve ser disseminada, compartilhada e distribuída livremente! É pra isso que se faz arte, para por à apreciação de todos.
Mas ainda estou me matando pra entender o sentido de “gostar dessa possibilidade da democratização da música, da arte”…