Eu preciso estudar cinema, não manjo nada de cinema. E eu quero fazer cinema.

Foi isso que ouvi hoje na estação de trem. Fiquei muito curioso mas contive a pergunta. Por que o cara quer fazer cinema se não entende nada do assunto?
Nessa conversa, os dois falavam sobre emprego. Um deles até comentou:

Por que eu preciso saber História pra trabalhar de porteiro?

A conversa deles é bem comum. Eles têm dúvida sobre qual curso fazer na faculdade e têm dúvida sobre o que querem fazer da vida. E sempre que pensam em algum curso, o maior atrativo é o resultado financeiro aparente.

Isso me lembrou minha história (calma, não sou um senhor de meia-idade frustrato com histórias chatas), ela é recente, bem recente:

Desde os quinze anos eu sabia o que queria fazer da vida. Eu queria estudar Engenharia da Computação na faculdade. Eu sempre adorei computadores e desenvolvimento de sistemas. Na verdade, qualquer tipo de tecnologia.

Quando finalmente chegou a hora de ir pra faculdade, ganhei uma bolsa num curso de Tecnologia em Desenvolvimento de Banco de Dados. Adorei a ideia (afinal, um desenvolvedor Oracle ganha muito bem). Quando fui fazer a matrícula, pra minha decepção, me informaram que não haveria turma para o curso naquele ano. Então iriam transferir a bolsa para Sistemas de Informação (Urgh!).

Fiquei uns 10 minutos na sala de espera para assinar a matrícula, mas já não estava tão empolgado. Pensava em desistir da bolsa. Então comecei a folhear as cartilhas de cursos da faculdade e na última hora, quando me chamaram para a matrícula eu perguntei se poderia fazer Gestão Financeira (afinal, adoro economia e finanças, então seria um curso interessante).

A coordenadora do curso me olhava pasma dizendo que não era minha área. Eu disse que era oque eu queria fazer, e foi o que fiz (e ainda estou fazendo, viu como a história não era antiga?!).

Na época eu tinha um emprego muito mal pago perto da faculdade - aliás, esse foi o motivo da escolha da faculdade, eu economizaria no transporte, uma vez que eu teria de ir até lá de qualquer jeito.

Ainda estudando, fui contratado por um banco, onde ainda trabalho. E desde então, minhas expectativas de carreira mudaram. Não penso mais em fazer Engenharia, mas Economia.

Desde os 15 anos eu tinha certeza do que eu queria. Mas em 10 minutos numa sala de espera, mudei minhas projeções consideravelmente, embora não completamente, porque ainda sou apaixonado por computadores.

Tenho me dado muito bem na minha função e acredito que terei grandes conquistas. E no final, aprendi uma grande lição:

Você nunca vai encontrar sua paixão se não procurar por ela.